Em meio a tantos gêneros de filmes, poucos conseguem encantar tanto quanto a animação. O estilo de produção cinematográfica trabalha aventuras, dramas, suspenses e filmes que vão muito além do estilo infantil, de forma lúdica e profunda.

Quem é fã do estilo já deve ter ao menos escutado falar sobre o Festival Anima Mundi. A premiação brasileira é uma das mais importantes mundialmente e exibe os mais variados estilos de animação. Infelizmente ele só acontece em São Paulo e Rio de Janeiro mas a boa notícia é que uma mostra itinerante chegou aqui em Brasília.

A partir desta quinta-feira até domingo, 29, a Caixa Cultural recebe o Circuito Anima Mundi – Mostra de Animação Itinerante. Obras nacionais e internacionais estarão em cartaz para mostrar um painel do que vem sendo produzido em animação no país e no mundo. As sessões estão divididas em duas voltadas para os adultos (às 17h e 19h30) e uma de filmes mais lights para curtir com os pequenos (15h). Os selecionados são as melhores animações apresentadas nas últimas edições do Festival.

A designer de interação, Lívia Holanda, trabalha com o meio e admite ser apaixonada pelo estilo. “Acho que animação é uma das formas mais simples de tocar o coração das pessoas e emocioná-las. É também a que inclui mais gente que a entenda. É uma linguagem quase universal, se for bem feita, sabe?”, diz.

Ao todo foram escolhidos 36 filmes para as sessões adultas. Entre eles estão Eu queria ser um monstro (BR), de Marcelo Marão, que mostra a rotina de uma criança com bronquite; Ed. (BR), de Gabriel Garcia; O Divino de, repente (BR), de Fábio Yamaji; Mon Chinois (FR), de Cédric Villain; Viaje a marte (ARG), de Juan Pablo Zaramella; Hasta los huesos (MEX), de René Castillo; The saga of biôrn (DIN), de Benjamin Kousholt; o curta que virou moda no youtube Fresh guacamole (EUA), do PES, em que objetos são transformados em guacamole fresco; e o tcheco Tram, único filme da mostra que é proibido para menores de 18 anos.

Infantil

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As sessões infantis exibirão vários filmes como The dam keeper (EUA), de Dice Tsutusmi e Robert Kondo, que mostra o trabalho incansável de um porco que impede nuvens venenosas de atingir uma cidade mesmo sofrendo bullying dos moradores e Bomtempo (BR), de Alexandre Dubiela, mostra um dia na vida de um homem que passa por diversas mudanças climáticas até chegar ao trabalho.

É importante lembrar que animação é um universo enorme e bem organizado. A produtora Lívia explica que existe uma distinção entre infantil e adulto. “Eu morro de raiva quando tentam me reprimir dizendo que animação é coisa de criança, ou quando escuto ‘a Livia tá lá fazendo os desenhos dela’ como se não fosse um trabalho a se levar a sério”. A brasiliense defende que as animações para criança que estão no circuito comercial dos cinemas brasileiros são filmes para adultos também, mas os níveis de compreensão e interação são bem distintos. “Agora os filmes adultos nem sempre são para os pequenos, né? Tem muita animação aí tratando de complexidades de relação humana, de sexo, violência, e outras coisas que as crianças podem não entender tão bem”, alerta.

A abertura acontece hoje às 19h30. A entrada é gratuita, mas é preciso retirar o ingresso por volta de uma hora antes de cada sessão na bilheteria do Teatro da Caixa Cultural Brasília. O circuito passou pela Caixa Cultural Salvador e, depois de Brasília, fará itinerância na unidade de Fortaleza com a mesma programação.

Animação brasileira

Mais do que entreter, o Festival Anima Mundi tem um papel em muito importante em fomentar a produção de animação no país. O evento consegue reunir mostra de curtas e longas, bate papo com pessoas do mercado e do governo, palestras e oficinas. “Quase não se investe nessa área e o festival promeve o entendimento da animação como expressão de arte que precisa de apoio. É fácil se apaixonar por desenho com tanto estímulo!”, defende Lívia.

Sobre como anda a produção no país, a designer é otimista. “Nos últimos anos tem sido melhor. O Alê Abreu ter concorrido ao Oscar esse ano foi sensacional. Tenho certeza que, assim como o Anima Mundi é um marco pro mercado animado, essa exposição do nosso talento por meio do Menino e o Mundo pro mundo vai dar uma guinada na produção aqui”, explica.

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A Fuga das Galinhas, O Estranho Mundo de Jack, Coraline e tantos outros filmes incríveis que trabalham com animação fazem uso da técnica. Pensando nessa opção divertida, esta edição do Circuito Anima Mundi oferece oficinas gratuitas de animação sobre a técnica com massa de modelar com Marcio Salles.

A oficina é voltada para crianças (a partir dos oito anos), jovens e adultos que vão criar roteiros e confeccionar personagens, que serão animados em um cenário de fundo infinito. No final, claro, o pessoal vai conferir como foi o resultado.

O curso será realizado de 27 a 29 de maio, das 13h às 19h. Não será preciso inscrição prévia e cada turma atende até 30 pessoas, mas conforme o participante for terminando seu projeto novas pessoas podem entrar na aula.

Tem como conferir a programação completa aqui!