Para comemorar o dia internacional da juventude a ONU promoveu um grande encontro no Rio de Janeiro para debater a Agenda para 2030. A representante do Distrito Federal, Danielle Morais, conversou contou um pouco sobre sua ida ao encontro e a militância na cidade.

Na última segunda-feira (15) a Organização das Nações Unidas (ONU) e a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) celebraram o dia Internacional da juventude, que é comemorado em 12 de agosto, e realizaram um grande encontro no Rio de Janeiro. Entre os objetivos e atividades da ação estão uma roda de conversa com jovens dos mais variados perfis sociais e de diferentes regiões do Brasil com dirigentes da ONU. O tema escolhido para o ano é Juventude, esporte e desenvolvimento: rota para 2030; e se inspira nas Olimpíadas Rio 2016. Para promover a participação do maior número possível de jovens o encontro foi transmitido pela internet em português e inglês. O Distrito Federal teve seu nome representado por Danielle Morais, militante de jovens e mulheres, que levará uma carta feita com a colaboração de cerca de 30 participantes do programa Jovem Expressão.

O projeto foi criado com a ideia de contribuir com o desenvolvimento de jovens através do estímulo a produção cultural, comunicação e engajamento nas ações de sua comunidade e acontece em Ceilândia e Sobradinho II. É de Ceilândia a estudante Danielle Morais, que leva o documento elaborado por parte da juventude do DF, com sugestões e demandas deste grupo, tem 28 anos e é mais conhecida como Dani Black. A brasiliense se dedica aos temas em que milita e estudou sobre questões de gênero e emponderamento de mulheres na Universidade de Brasília. A estudante é terapeuta comunitária no Jovem de Expressão e trabalha também como turbantista na cidade. “Sou ativista de um movimento negro e de tudo que é ligado à juventude, principalmente a juventude negra e periférica. O meu papel vai ser levar uma indagação, reflexões e perguntas para o encontro, baseados nas vivências e experiências que tenho como jovem nascida e criada na Ceilândia”, afirma a estudante.

Foto Gleds Alves

Danielle conta que será porta-voz de sua juventude a partir de um texto elaborado com a participação de outros colaboradores da Ceilândia e que o foco dos jovens dessa região em relação às 169 metas da Agenda 2030 são as meta 5, 10, 16 e 17. Tais metas são baseadas no que é direito da juventude e em questões relacionadas ao extermínio em determinadas comunidades, à igualdade social e racial, além do respeito à questão de gênero e participação política da juventude. “Vou representar os jovens da minha comunidade com muita honra nessa conferência. Com base em toda a colaboração da comunidade, o questionamento que vou levar é este: Tendo em vista a necessidade e a força da expressão jovem, como podemos usar a nossa voz para reduzir as desigualdades representadas pelo ODS 10 (objetivo de desenvolvimento sustentável da ONU, número 10), em um país diverso como o Brasil, mas que ainda subestima a força do jovem?”, declara a brasiliense. Vale lembrar que a ODS 10 fala justamente em reduzir a desigualdade dentro dos países e entre eles.

A primeira viagem de Danielle é justamente sua ida para o encontro no Rio de Janeiro e a estudante conta que apesar da grande responsabilidade, sente-se confiante. “Recebi muito apoio e venho e uma base muito sólida preta e periférica do Jovem de Expressão. Nós construímos esse documento com muita carinho, pensando nas nossas vivências e necessidades”, afirma a terapeuta comunitária. A brasiliense afirma que o encontro significa muito para Ceilândia, que poderá ter a voz de sua comunidade ouvida e representada. “Nós somos os mais afetados pela falta de segurança, saúde, bem-estar e representatividade. Como sou mulher preta e periférica se bem como é a realidade dessas pessoas e procuro sempre ser muito ativa naquilo que defendo. Acredito que a melhor forma de se preparar é ser fiel e verdadeiro à luta, pensando sempre no próximo e nas pessoas que você representa”, afirma. A representante do DF destaca que está sempre em contato com a juventude da sua comunidade e de outros locais, tendo recebido total apoio de toda a sua região.

A ideia do encontro é incentivar a participação direta dos jovens para debater os 17 objetivos estabelecidos na agenda de 2030. As metas citadas por Danielle como foco dos jovens do DF são: 5 – alcançar a igualdade de gênero e empoderar todas as mulheres e meninas; 10 – reduzir a desigualdade dentro dos países e entre eles; 16 – Promover sociedades pacíficas e inclusivas para o desenvolvimento sustentável, proporcionar o acesso à justiça para todos e construir instituições eficazes, responsáveis e inclusivas em todos os níveis;17 – Fortalecer os meios de implementação e revitalizar a parceria global para o desenvolvimento sustentável. Estarão presentes no encontro mais de 10 jovens lideranças ligadas aos temas: juventude negra, jovens LGBTI, jovens vivendo com HIV-Aids, jovens com deficiência; jovens de comunidades tradicionais, afro-religiosas, indígenas e de refugiados. Além da troca de experiências, todos levarão as pautas e perguntas elaboradas dentro de suas comunidades.


Luta cotidiana

Foto Dayana Correia (1)Eu cheguei ao Jovem de Expressão através de um coletivo que eu participava e que foi convidado. Recebi o convite para ser terapeuta comunitária depois de muitos trabalhos que realizei dentro do projeto. O que me levou realmente a lutar pelas causas da juventude negra periférica foi que há três anos eu perdi o meu irmão de 19 anos, ele era o caçula da família e foi assassinado. A morte dele foi planejada e o caso ainda não foi solucionado, quem o matou continua livre. Ele também sofreu muita violência policial, algo comum no nosso cotidiano. A maneira que eu encontrei de me levantar depois disso foi participar de movimentos que pudesse trazer melhoras para a população negra. Hoje eu luto por mim, por ele e para que jovens como meu irmão não vão embora sem experimentar o bom da vida e que não tenham seus direitos feridos. É muito pessoal falar desses temas, eu luto sempre por mim e pensando no meu coletivo. A juventude preta e periférica é o meu foco, luto por tudo aquilo que eu enfrento todos os dias”. (Danielle Morais, brasiliense, moradora de Ceilândia e representante do Distrito Federal)


Confira um pouco mais do programa Jovem de Expressão