“As pessoas que entram em casa trazem nos sapatos o barro dos caminhos”.                                                                               (Olívia)

 

Olhai os lírios do campo foi o meu primeiro contato com um romance de Erico Verissimo. Ficou em mim como um desses livros que a gente termina a última página com um sorrisinho bobo no rosto, sentindo uma saudade gostosa e meio melancólica de um tempo passado. Erico me lembrou que todo o amor vivido, compartilhado, ou sentido (assim como todo o resto), deixa em nós um rastro, uma bagagem, um novo olhar. Ao ler um pequeno trecho de uma das cartas deixadas por Olívia, tive a sensação de ter resumido em algumas palavras todo o amor que já senti: Olhai os Lírios do Campo“As pessoas que entram em casa trazem nos sapatos os barros do caminho”. Assim como levamos em nós um pouco de cada gente que nos toca e com quem compartilhamos (ou apenas entregamos) sensações.  

O amor deixa cartas, palavras, memória, abre novos espaços. Ah, as cartas! É o que mais me fascina. Reler textos, bilhetes, rascunhos ou tentativas poéticas de outros tempos me transporta quase que automaticamente para o momento em que foram pensadas. As memórias deixadas por Olívia despertavam sempre em Eugênio uma vontade de ser melhor, é o ponto que me encanta no amor. Em suma, me ficou a sensação de que toda experiência é válida e pode nos despertar e aproximar cada vez mais do que verdadeiramente somos. E se nada fizer sentido, permanecem as boas lembranças.