Talvez eu fique um tantinho bairrista ao falar de arte, mas é que tenho um orgulho grande quando percebo que a produção cultural de Brasília, vista como menor ou inexistente por tantos anos, esteja conquistando e ampliando cada vez mais seus espaços. É o caso do longa-metragem de Iberê Carvalho, O último cine-drive in, que mostra o cinema a céu aberto de Brasília de maneira leve e nostálgica. Assisti ao filme no próprio drive-in, que aliás, aparecia em minha memória apenas em algumas poucas lembranças de infância. Tive a sorte de escolher o cinema sob uma noite brasiliense estrelada e acompanhar ao vivo um pouco da história que era contada na tela.

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Acendi o farolete para pedir uma porção de petiscos e aproveitei o conforto de assistir ao filme quase como dentro de casa, com o acréscimo de estar sob um dos céus mais bonitos e famosos do país. Brasília é terra do horizonte, de nuvens bonitas bem à frente dos olhos. Acredito que nenhuma outra cidade abrigaria tão bem o último representante do cinema que fez tanto sucesso em décadas passadas. O estacionamento estava cheio, bem diferente daquele que era exposto às moscas durante o longa de Iberê. Ouso dizer que a película brasiliense colaborou, e muito, para reerguer a movimentação do local.

O primeiro longa de Iberê Carvalho fala de amor ao cinema e coloca a família como uma base forte para contar uma história de saudade e nostalgia. O filme é permeado de silêncios e a narrativa simples, mostrando um pouco mais da beleza das histórias comuns. A fotografia não poderia deixar de ser bonita e mostra Brasília em seus instantes de vazio urbano e a vermelhado.

foto-oucdi-still-02by_rose_may_carneiroNa história, um menino volta à sua terra natal bem no meio do país e acaba por reencontrar o pai, dono do drive-in há 37 anos. Ele insiste em manter vivo o cinema, mesmo não atraindo mais espectadores como na década de 70. Para isso, conta com a ajuda de apenas dois funcionários: Paula (Fernanda Rocha), que cuida da projeção e da lanchonete; e José (Chico Sant’anna), um velho amigo de Almeida, que ajuda a vender ingressos no caixa e da limpeza do local. Com a ameaça de demolição do Cine Drive-in e o agravamento da doença de Fátima, pai e filho vão ter que se unir e tentar reviver os bons ventos passados. O filme é leve e traz a saudade da movimentação que o cinema proporcionava na década de 70.

O longa é agora finalista do Prêmio Netflix e tem a oportunidade de representar a cultura de sua cidade, além de difundir um pouco mais de sua história, para mais de 190 países, sendo traduzido em 32 línguas. O filme já conquistou diversos prêmios pelo mundo e para este, o voto é popular. Aquele que for mais votado pelo público fechará um contrato de licenciamento global com a Netflix. Sendo assim, é nossa hora de votar e ajudar O último cine-drive in a espalhar um pouco mais da cultura brasiliense mundo afora.


Para votar acesse: www.premionetflixbr.com.

A votação vai até o dia 03/10.

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O Último Cine Drive-In (Idem, Brasil – 2014)
Direção
:
Iberê Carvalho
Roteiro: Iberê Carvalho, Zé Pedro Gollo
Elenco: Othon Bastos, Rita Assemany, Breno Nina, Fernanda Rocha, Chico Sant’anna, Zécarlos Machado, André Deca, Rosanna Viegas, Mounir Maasri
Duração: 98 min.


Festivais e Prêmios

Festival de Gramado – Melhor Ator, Melhor Direção de Arte, Melhor Atriz Coadjuvante, Melhor Filme (Júri da Crítica)

Festival do Rio – Melhor Ator Coadjuvante

Festival Internacional de Punta del Este – Melhor Filme, Melhor Ator

Festival Internacional Cine Las Americas – Texas, EUA – Melhor Filme

Festival Internacional de Zanzibar – Tanzânia

Festival Guarnicê de Cinema – Melhor Ator, Melhor Direção de Arte, Melhor Trilha, Melhor Filme (Júri ABD)

Festival du Film Brésilien – Luxemburgo

Festival Primeiro Plano 2015

Latin American Film Festival

San Diego Film Festival

Festival Latinoamericano de Rosário

Chicago International Film Festival


Confira o trailer: