Da série: Prata da Casa

Mostrar mulheres de diferentes tipos, etnias, tamanhos, gostos e personalidades. Sair do caminho padronizado e retratar o corpo se expressando da forma mais pura possível, além de desmistificar que a fotografia do nu é essencialmente erótica. São esses os objetivos e caminhos que se ressaltam entre os fotógrafos e mulheres fotografadas em ensaios sensuais. Mostrando a beleza sutil e as possibilidades do corpo feminino, o gênero se expande cada vez mais, mostrando que toda mulher pode, e deve, se sentir bela. Fotógrafos como, Bernardo Moreira e Fábio Setti investem na sensibilidade e na intimidade do universo feminino para quebrar padrões.

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Bárbara Pires, por Fábio Setti

Os artistas são dois dos jovens brasilienses que focam seus registros, atualmente, para o universo feminino e para as possibilidades de contar histórias, expressar sentimentos e sensações através das imagens captadas de diferentes mulheres. Os ensaios sensuais trazem um novo olhar sobre o próprio corpo para as meninas fotografadas e que é possível, até mesmo, fazer com que elas vejam de maneira positiva aquilo que antes era tido como defeito.

A descoberta do universo de Bernardo Moreira

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Ao retratar traços de seu próprio olhar sobre o universo feminino, Bernardo Moreira, com apenas 19 anos, tem conquistado a atenção do público e já realizou sete exposições fotográfica, sendo a última delas: Essa tal liberdade. Os retratos do brasiliense em sua última exposição mostram, por diversos ângulos, mulheres entre 16 e 24 anos, que marcaram o projeto Menina mulher, composto em sua maioria por brasilienses que contam um pouco da sua história e de seu espaço íntimo através das imagens em que são retratadas. Os cenários passam por vários estados brasileiros e pelo Distrito Federal, trazendo imagens externas ou de pequenos interiores de casas e quartos. Filho de fotógrafo, o jovem começou a criar suas próprias imagens aos 15 anos e se no início a fotografia apareceu como um caminho para ajudar o jovem a lidar com a depressão, hoje em dia, tornou-se seu foco de trabalho, estudo e criação.

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Foto de Essa tal liberdade

Integrante do novo time de jovens fotógrafos que movimentam as redes sociais, Bernardo é também estudante de publicidade e acredita que todo retrato deve contar alguma coisa. No caso das imagens feitas por ele o que se pode perceber é a preocupação em mostrar aquilo que é sensível e íntimo no universo dos fotografados. Utilizando-se das imagens para transformar palavras, sentimentos e histórias em um instante captado para tornar-se eterno, o jovem acredita que a fotografia é capaz de nos fazer reviver momentos, é o que ele tenta mostrar com as mulheres e meninas que aparecem nos quadros de sua exposição. “A inspiração começou quando uma amiga me chamou para fotografar ela e eu gostei muito da experiência, me dedico mais a esse tema feminino pois é o universo com o qual tenho mais afinidade”, conta. Dentre seus trabalhos expostos, o jovem brasiliense já passou por lugares como a Pinacoteca de São Paulo e o Museu Nacional da República em Brasília.

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Foto de Bernardo Moreira

O título escolhido para Essa tal liberdade fala muito do que o jovem procura passar com o seu trabalho criativo. A liberdade é o principal aspecto e aliás, é esse o ponto de troca entre artista e espectadores, já que o fotógrafo espera que cada um se sinta livre para interpretar suas imagens de acordo com suas percepções próprias e afirma: “As fotografias falam de liberdade e principalmente liberdade que veio para mim através das fotos. Além disso, durante o ensaio, eu tento passar para a menina a ideia de que ela se sinta livre dela mesma e do mundo. Mas eu não posso definir esse conceito, quero que cada um tenha a sua visão quando for na exposição”. Os retratos remontam a transformações rápidas e profundas da juventude, além de sensações e universos muito particulares.

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Por Bernardo Moreira


Os olhares criadores de Fábio Setti

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“Sempre gostei de desenhar a anatomia humana, principalmente feminina.  Com 19 anos (em 2013) comprei uma câmera e resolvi fotografar minha namorada, que estava gravida na época. A idéia era mostrar para ela que as mudanças do corpo dela, eram normais, que o processo de gravidez é lindo a cada momento. E que o corpo tem sua beleza mesmo com tantas alterações, foi um trabalho psicológico de aceitação do corpo dela”.

Para o artista, o nu na fotografia hoje, significa denúncia, rompimento de preconceitos, uma forma de vida. Conscientização e principalmente uma arte que busca mostrar a sensibilidade e a não erotização. “O nu hoje é amor, é paixão, é união. É como consigo contar historias através de um corpo despido de todo tipo de preconceitos”, afirma. Fábio acredita que a fotografia de nu está ganhando um espaço cada vez maior e mais valorizado e que este é um caminho possível para ser um porta-voz de pessoas que lutam com seus próprios medos mas não conseguem expressá-los.

 

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Por Fábio Setti

 

Fábio Setti sempre se empenhou em fotografar a beleza real das mulheres, sem alterações ou tratamentos excessivos e retratando meninas que nunca posaram nuas. Eu seu trabalho de conclusão de curso, chamado Quebrando padrões – a beleza como ela é, o artista fotografou 17 mulheres sem experiência, de diferentes tipos, etnias, tamanhos, gostos e personalidades. “A ideia era retratar o corpo se expressando da forma mais pura, e desmistificando que a fotografia de nu é essencialmente erótica. Toda e qualquer mulher pode se sentir gostosa, sensual e desejada posando nua, não precisa estar nos padrões para se sentir capa de revista”, declara o fotógrafo.

Vale lembrar que, na fotografia, cada ensaio conta uma historia, cada mulher, cada olhar. A sensibilidade feminina transborda durante um ensaio de nu. “A intimidade aflora e acabam saindo todas as angústias, alegrias, desejos e eu tento captar isso. Sempre converso bastante durante o ensaio, ate mais do que deveria, procuro entender e sentir o que cada modelo está sentindo no momento, para retratar ao máximo a essência de cada uma”, conta Fábio. É possível perceber que cada ensaio tem um objetivo diferente e de acordo com o artista, as mulheres o procuram pelos mais diversos motivos, seja para se sentirem desejadas, para verem elas mesmas com os olhos dos outros ou até mesmo como forma de protesto. “A sensação de fotografar as mulheres nos seus momentos mais íntimos é indescritível. Poder entender as angústias, as dores, as vontades, os pensamentos delas tem sido inspirador”, ressalta o fotógrafo.

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Foto de Fábio Setti

É possível perceber que o mercado da fotografia de nu e sensual cresce cada vez mais e as mulheres buscam cada vez mais espaços de expressão sem preconceito. Ambos os fotógrafos defendem que a nudez deve ser vista como algo natural, como pura expressão corporal e a vontade em comum é a de que os preconceitos em relação a livre expressão do corpo caiam de vez por terra.

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Veja mais!

Conheça um pouco mais do trabalho dos fotógrafos em:

Flickr de Bernardo Moreira: https://www.flickr.com/photos/bernardomoreiraphotos/

Site Fábio Setti: http://fabiosetti.com.br/