A poesia tirou a roupa esta semana em Brasília. Ou melhor, acabou de tirar. É que finalmente veio à luz a segunda parte do projeto Poesia Nua, que começou há quase dois anos, em dezembro de 2014, quando um grupo de 15 poetas se reuniu para posarem nus (tudo bem, a maioria, como eu mesmo, nem tão nua assim) e montarem um calendário poético.

O calendário saiu em janeiro do ano seguinte. Ao lado da foto do autor “bem à vontade”, estava um trecho de um poema dele. Quem conseguiu comprar alguns dos duzentos calendários sabe bem que o acabamento gráfico se equilibra em harmonia com os fragmentos de poesia.

A ideia do calendário nasceu nas delicios7zi0j5woiq_6pb4090wp1_file-2as noites de sarau do Lounge Poético, que, em 2014, agitou as terças-feiras do inquieto (e agora fechado) Balaio Café, numa época em que Brasília não andava tão careta assim como hoje. Vendendo o calendário, conseguiriam fazer uma coletânea de poemas eróticos. E conseguiram.

Os trabalhos de Àgata Benício, André Giusti, Áurea Valentina, João Pacífico, Lindha Torres, Maísa Arantes, Mana Gi, Marina Mara (idealizadora e organizadora), Melissa Mundim, Paula Passos, Prem Supunya,  Seirabeira, Tairo Loiola, Tati Carolli e Vanderlei Costa você confere no e-book http://www.marinamara.com.br/poesia-nua-e-book

Agora, por que poesia erótica? Ah, rolou um clima, galera, rolou um clima…

 


Abaixo, depoimentos de alguns dos envolvidos nessa ótima devassidão poética.

“Foi simples. Eu já tinha um projeto de autorretrato em andamento, então o ensaio veio como uma boa oportunidade de testar ideias e também de conviver um pouquinho com as participantes do projeto. Escrever sobre sexo pra mim é um exercício. Um exercício de narrativa sobre essa cena cotidiana na vida de todas e todos – a cena do sexo. É essa dificuldade na narrativa do sexo que eu tenho necessidade de explorar. Cada conto que eu consigo escrever é uma espécie de vitória nesse sentido.“

Tati Carolli

“Bom, diria que foi libertador, afinal nas escritas arrancamos as roupas da alma que se fazem poesia e tirar a roupa para fotografar eu diria que foi poético. Escrever sobre sexo para mim, é algo divertido, as pessoas me parecem preferir  ler do que falar sobre sexo, para mim escrever é tão bom, quanto fazer rs”

Áurea Valentina

“Fazer o ensaio foi tranquilo e ne senti à vontade, devido ao trabalho proposto pelo nosso projeto. Quando escrevo sobre sexo e vivo o sexo tomo posse de mim mesma. Liberto-me e consagro-me desmistificando as crenças no sentido de viver o sexo pelo prazer.”

Lindha Torres

Fiquei a princípio apreensiva, porque eu não toparia nu total, mas a Marina Mara nos deu a liberdade de posarmos da maneira que sentíamos livres. Hoje, eu seria mais livre do que fui naquele dia, pois cada dia sou um pouco mais. Adoro escrever sobre o Eros. O sexo sempre foi belo e limpo pra mim.” 

Seirabeira

“Foi muito legal fazer o ensaio, muito bom mesmo, uma coisa que eu sempre quis fazer. Quando eu cheguei lá, eu não tinha nenhuma questão quanto a isso, mas depois que eu tirei a roupa foi muito boa a sensação de me sentir nu, despido de muito coisa que eu tô acostumado, foi mais surpreendente do que eu pensei que seria. Escrever sobre sexo pra mim é algo absolutamente necessário, é uma das matérias mais importantes da poesia, é uma coisa íntima  ea poesia é feita de coisas íntimas, mas a poesia é pra ser mostrada.”

João Victor Pacífico

“É tranquilo fazer qualquer coisa com companheiros de um mesmo projeto, de um mesmo sonho. Já estávamos juntos na jornada poética, o que nos fazia mais irmãos. O sentimento foi de querer mais, mais tempo para realização das fotos e mais nudez no resultado final do trabalho.  Minha opção de escrita acabou sendo mais feminista e repleta de protestos por toda situação que atravessávamos na época. Lei do silêncio, repressão às minorias, Malafaias e Felicianos aumentando o tom repressor e o machismo que fortemente se manifestava, acabaram por  dominar a jornada das palavras. A nudez foi um ato de enfrentamento poético, um manifesto libertador das amarras que tentavam nos impor.”

Mana Gi

“Foi um super desafio assim pra mim pousar e que me ajudou a desvendar esses versos eróticos que eram coisas que eu não abordava muito, e ter pousado foi bom inclusive pra minha autoestima, foi muito importante pra minha auto aceitação. Cada vez mais é necessário escrever sobre sexo, até que venha se tornar tão saudável e tão bonito como é, antes de vir a indústria cultural e deturpar tudo.”

Marina Mara