Havia o tempo da descoberta, da reinvenção, do riso e de outro despertar. A gente tenta fugir do tempo, impassível, constante, fiel, e por fim, cedemos. Guardamos novamente no baú de velhas ideias a percepção exagerada, quase ingênua, de que seríamos eternos aos olhos do outro. Passamos. Passaríamos sempre. A tentativa desesperada de mais alguns minutos, uma lembrança, um instante qualquer, um reviver de velhas fotografias. Passaríamos sempre. Nos olhos dos outros seria – eu? – o reflexo de tudo aquilo que sonhava ser eterno. E não é eterno o sonho de hoje? Recolheríamos as certezas de antes, há que se mudar de laços, risos e embaraços outra vez. Dizem que logo mais na frente construíram uma nova calçada, ela passa tranquila pelo espaço de ontem e faz uma curva por perto das ondas. Calcei meus novos sapatos, fiz outra vez a mochila, passaríamos sempre e claro, perderíamos alegremente os olhos pelo mar.