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DJ durante o projeto Sabadão Cultural Quilombo, no Jovem de Expressão

Conheci o Jovem de Expressão através da Danielle Morais, que conversou comigo para contar da sua participação em um encontro da ONU, em agosto, que comemorava o dia internacional da juventude. Danielle, que é militante de jovens e mulheres, representou o Distrito Federal durante o evento e trouxe à tona o nome do Jovem de Expressão. O projeto foi criado com a ideia de contribuir com o desenvolvimento de jovens através do estímulo a produção cultural, comunicação e engajamento nas ações de sua comunidade e acontece em Ceilândia e Sobradinho II.

De 19 de Novembro à 11 de Dezembro de 2016, o programa abre as portas para apoiar atividades culturais de jovens do DF e entorno. Neste período, está aberta a chamada pública para inscrições na terceira edição do projeto Espaço Aberto. A meta é incentivar o uso de espaços públicos com ações que proporcionem a interação da comunidade com iniciativas voltadas à formação sociocultural promovidas pela e para a juventude. O proponente poderá escolher onde deseja realizar suas atividades culturais, desde que sejam gratuitas e em espaços públicos. As atividades podem ser de dança, teatro, saraus, exposições, esportes urbanos, música e outras manifestações artísticas e culturais.


As inscrições e informações completas estão aqui na página do programa: https://www.facebook.com/jovemdeexpressao/?fref=ts

E o edital está disponível neste link para os interessados: https://issuu.com/jovemdeexpressao/docs/editalespa__oaberto_regulamento


Sobre Danielle, que me apresentou o Jovem de Expressão

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É de Ceilândia a estudante Danielle Morais, que leva o documento elaborado por parte da juventude do DF, com sugestões e demandas deste grupo, tem 28 anos e é mais conhecida como Dani Black. A brasiliense se dedica aos temas em que milita e estudou sobre questões de gênero e emponderamento de mulheres na Universidade de Brasília. A estudante é terapeuta comunitária no Jovem de Expressão e trabalha também como turbantista na cidade. “Sou ativista de um movimento negro e de tudo que é ligado à juventude, principalmente a juventude negra e periférica. O meu papel vai ser levar uma indagação, reflexões e perguntas para o encontro, baseados nas vivências e experiências que tenho como jovem nascida e criada na Ceilândia”, afirma a estudante.

“Nós somos os mais afetados pela falta de segurança, saúde, bem-estar e representatividade. Como sou mulher preta e periférica se bem como é a realidade dessas pessoas e procuro sempre ser muito ativa naquilo que defendo. Acredito que a melhor forma de se preparar é ser fiel e verdadeiro à luta, pensando sempre no próximo e nas pessoas que você representa”, afirma. Danielle conta que está sempre em contato com a juventude da sua comunidade e de outros locais, tendo recebido total apoio de toda a sua região.

Luta cotidiana

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“Eu cheguei ao Jovem de Expressão através de um coletivo que eu participava e que foi convidado. Recebi o convite para ser terapeuta comunitária depois de muitos trabalhos que realizei dentro do projeto. O que me levou realmente a lutar pelas causas da juventude negra periférica foi que há três anos eu perdi o meu irmão de 19 anos, ele era o caçula da família e foi assassinado. A morte dele foi planejada e o caso ainda não foi solucionado, quem o matou continua livre. Ele também sofreu muita violência policial, algo comum no nosso cotidiano. A maneira que eu encontrei de me levantar depois disso foi participar de movimentos que pudesse trazer melhoras para a população negra. Hoje eu luto por mim, por ele e para que jovens como meu irmão não vão embora sem experimentar o bom da vida e que não tenham seus direitos feridos. É muito pessoal falar desses temas, eu luto sempre por mim e pensando no meu coletivo. A juventude preta e periférica é o meu foco, luto por tudo aquilo que eu enfrento todos os dias”.