Na última semana estava assistindo um filme com uns amigos quando um deles perguntou, “Por que gostamos de ver filme de terror?”. Depois de um pequeno debate a conclusão simples foi: porque os filmes nos despertam sentimentos. Drama – tristeza, terror – adrenalina, comédia – alegria e por aí vai.

Na hora me dei por satisfeito porém mais tarde me perguntei sobre o trash. Por que gostar de filmes assim? Isso ficou na minha cabeça por uns dias e aqui estamos, nos preparando para falar de algo que eu adoro, mesmo não sabendo muito bem o porquê, o cinema trash.

A primeira lição é saber o que é afinal um filme do gênero trash. Não existe muito bem uma definição para isso e nem um grau de “trasheira”, mas o gênero é definido a partir de um filme mal feito, propositalmente ou não. Isso pode ser confuso ao se misturar com outras categorias como filme amador, tipo B, independente ou undergroung.

Planeta terror

Para que a coisa fique mais clara, alguns pontos podem ser observados. Normalmente, o trash trabalha com todas, ou a maioria dessas características:

  1. Baixo orçamento;

  2. Produção pobre (cenário, fotografia, figurino);

  3. Roteiro bizarro (uma história irreal ou completamente sem noção);

  4. Gênero típico (terror, ficção científica);

  5. Elenco tosco (atores amadores ou muito ruins);

  6. Personagens bizarros e muito estereotipados;

  7. Elementos exagerados (sangue em excesso, lutas irreais, ferimentos gravíssimos que não matam, armas incomuns no contexto cotidiano tipo moto-serra etc).

 

Quanto mais atende aos critérios, mais trash o filme é.

Então para a alegria geral dos que curtem esse estilo de filme, e buscam ou não entender o porquê, o cinema tem de todos os tipos e níveis. Então aí vão algumas dicas para analisar e começar a ter um olho clínico para o trash.

Um dos que mais gosto e que é bem conhecido é Planeta Terror (2007). Dirigido por Robert Rodriguez e produzido por Tarantino (que faz uma participação em uma cena), é uma homenagem aos filmes tipo B, que eram uma espécie de trash sem querer. Nesse caso, o estilo é proposital.

Com um roteiro bizarro de apocalipse zumbi, uma mulher que perde uma perna e ganha uma metralhadora como prótese, a enfermeira sexy cliché que ataca com as agulhas e zumbis ultra nojentos em meio a gosma e sangue, o filme é um trash quase completo. E esses são só alguns pontos. O que foge um pouco a regra é o elenco, que tem Bruce Willis,  Rose McGowan e outros rostos conhecidos.

Outro exemplo que foi bastante comentado nas redes sociais, Sharknado (2013). Como lidar com um filme em que um tornado cheio de tubarões famintos invade a cidade? O Sify, canal que produziu o longa já é mestre em trashes, mas esse foi tão insano que se destacou.

Sharknado

Lá está a ferramenta essencial em filmes trash – motosserra”

Com um roteiro que não tem a menor lógica, brinca com atores caídos como Tara Reid e Ian Ziering inseridos em efeitos especiais péssimos e um filme cheio de erros grotescos de edição e continuidade. Ah, e claro que houveram três sequências para ele.

Para fechar, futuros lançamentos: o que começou como uma piada de primeiro de abril acabou virando verdade. Por que não juntar a Samara, de O Chamado (2002), a Kayako, o menino fantasma de O Grito (2004)? Com um roteiro que transborda azar, um grupo de amigos vai assistir ao vide-o da Samara na casa amaldiçoada de O Grito. Claro que as duas ‘entidades’ começam a se digladiar para ver quem fica com as almas. Precisa falar algo sobre os efeitos especiais e os atores?

O filme vai estrear no Japão em julho e não tem data para chegar ao Brasil.

O outro que está vindo ao Brasil e vai atingir a geração dos anos 90 é Dead 7. O filme, também de zumbis, aposta no trash quando coloca como elenco os cantores das boybands Backstreet Boys e ‘N Sync! Dirigido e estrelado por Nick Carter, junto com sua esposa Lauren Kitt, tem os mesmos produtores de Sharknado.

O filme com baixo orçamento tem um quê comédia infame e ação e reúne AJ McLean (Backstreet Boys), Howie Dorough (Backstreet Boys), Joey Fatone (‘N Sync) e Chris Kirkpatrick (‘N Sync). Não, infelizmente (ou felizmente) Justin Tiberlake não está no elenco.

Em um dos trechos do trailer da pra ver uma das piadas que usam a música Bye, Bye, Bye do ‘N Sync como “say bye bye bye to zombies”. Como não amar? Ele foi ao ar no canal Sify nos EUA em abril mas ainda não pintou por aqui.

Então é isso. Quando for assistir um filme que achar trash, dê uma analisada e veja se ele se adéqua ao estilo ou se é só mais um filme tipo B ruim mesmo. Quanto ao motivo de gostar de assisti-los, essa resposta talvez eu nunca encontre.

 
Ps: O filme que assisti com meus amigos que gerou a pergunta foi o suspense Hush (tem lá no Netflix e mega recomendo).