Neste final de semana estreia nos cinemas da cidade o longa Como eu era antes de você. Contando uma história de amor entre um rapaz amargurado e uma moça, excêntrica e simpática, que juntos tem o romance perfeito e descobrem o verdadeiro poder do amor. É claro que as sessões estão disputadas já que neste domingo, 12, é o famigerado dia dos namorados.

Uma infinita lista de filmes de romance poderiam ser citadas aqui, como todos do Nicholas Sparks e muitos outros filmes ‘água com açúcar’ que ensinam o que é (ou não) um namoro. Mas ao invés disso, seguirá uma seleção de longas e séries que apostam no caminho inverso. Ao falar de um relacionamento, algumas histórias decidem se aproximar da frágil, complicada e insegura realidade dos romances dito reais.

 

O Brilho eterno de uma mente sem lembranças…

E se fosse possível, com a ajuda de uma nova tecnologia, apagar todas as lembranças de um ex relacionamento? Girando em torno de Joel (Jim Carrey) e Clementine (Kate Winslet), O brilho eterno de uma mente sem lembranças abre espaço para debater o que é e, principalmente, foi, um namoro feliz. O protagonista, após se submeter ao tratamento repassa tudo o que viveu ao lado da ex e percebe que não quer apagar as memórias.

Segundo Natália Gonçalves, o romance está em mostrar que as coisas ainda são reais mesmo após o fim. “Eu acho que o que o filme diz é que as conexões pessoais são importantes e bem-sucedidas mesmo que o relacionamento acabe”, defende.

Outro ponto defendido, que é consenso quando se trata de filmes mais profundos, é a existência de personagens menos estereotipados. O brilho eterno de uma mente sem lembranças é maravilhoso por tratar de pessoas que parecem reais, não modelos perfeitos do que uma mocinha e um mocinho devem ser”, explica. “A Clementine é maravilhosa, mas falha também com defeitos que são realistas”, conclui.

Na época em que o filme foi lançado (2004), Kate Winslet admitiu que Clementine foi a personagem mais legal que a atriz já havia vivido.

 

 You’re worst

Fora do meio comercial, a série You’re the worst quase chega ao outro lado do pêndulo. Ao invés de falar dos perfeitos que serão felizes para sempre, o show protagoniza duas pessoas autodestrutivas que começam de forma racional um namoro. Talita Holanda acompanha os episódios, que estão na segunda temporada, e se identifica com os personagens. “You’re the worst eu acho que retrata bem as dificuldades de decidir começar e conseguir manter um relacionamento. O que eu mais gosto é que não é uma história de amor romantizada ou “maquiada”, ela passa uma verdade”, conta.

Atualmente namorando, acha que esse estilo de história é mais saudável que as muito romantizadas. “Por estar mais perto da realidade, é muito mais fácil se identificar. Acaba sendo mais saudável buscar esse tipo de relacionamento do que procurar um Diário de uma paixão ou Titanic da vida. Então acho que esses filmes e séries deixam as pessoas mais conscientes e menos iludidas”, brinca.

 500 dias com ela

Um dos mais falados filmes de romance fora da caixa, 500 dias com ela já adianta no começo: Isso não é uma história de amor, é uma história sobre o amor.

Estrelado pelos amados Joseph Gordon-Levitt e Zooey Deschanel, a história aborda a questão “você pode amar muito uma pessoa e ainda assim as coisas podem simplesmente acabar”. No filme, Tom relata como foram os 500 dias que viveu com Summer, do começo, passando pelo ápice do namoro, até a depressão do pós relacionamento. O que é tão interessante é como ele mostra que esse sofrimento é um processo normal.

Janice Vilela, sempre foi fã de romances, conta que os clichés afetaram sua visão de relacionamentos. “Eu cansei de assistir filmes adolescentes e acho q eles me fizeram uma adolescente que idealizava romances que não existem, esperando coisas das pessoas, achando que podia muda-las”. Conta.

Hoje, mais madura, Janice é fã de romances fora da caixa. “A primeira vez q vi 500 dias com ela até fiquei incomodada. Foram uns anos aí pra entender que fazia todo o sentido do mundo. Hoje eu gosto pra caramba desses que mostram a realidade. Acho que ajuda muito a refletir sobre o que esperamos do outro de irreal”, conclui.

 

Trailer de Love

Disfarçado de mais um cliché, Love, série original do Netflix de Judd Apatow, fala pelas entre linhas do drama de toda uma geração para com os relacionamentos. Sempre partindo da ótica pessimista, a série não abre espaço para soluções, apenas um grande debate dos dilemas enfrentados pelos personagens.

O rapaz, o nerd sem graça e a moça, a popular com caras bonitos. Esse é o casal que precisa se entender e se descobrir para conseguir de fato sustentar a relação. Marcos Lima assistiu ao programa e gostou da forma orgânica como tudo foi construído. “É interessante como funciona a troca de sentimentos entre eles. O sentimento vai sendo construído. A história mostra os defeitos e qualidades de cada um, bem como a forma real e orgânica da relação”, explica.

 

Outros títulos que seguem a linha:

O Fabuloso Destino de Amélie Poulain (Jean-Pierre Jeunet)

Os Sonhadores (Bernardo Bertolucci)

Apenas uma noite (Massy Tadjedin)