Pode parecer bobagem falar de bonecas, mas muitas vezes, são elas o primeiro modelo de identidade feminina entendido por meninas novas. Eu me lembro de olhar para as minhas barbies – companheiras das primeiras histórias que comecei a inventar – e pensar, em uma mistura de decepção e vontade: “eu nunca vou ter as pernas finas como as delas”. Digo isso da minha posição privilegiada de ter vivido uma infância como menina branca, com a pele e os cabelos claros e lisos como os das bonecas. E ainda assim eu não me sentia representada. Pense na quantidade ínfima de meninas que conseguiam se reconhecer ali e o quanto podiam se sentir confusas todas as outras.

Quando uma marca grande e mundialmente reconhecida decide reformular um padrão estabelecido há tantos anos, é sim um indício claro de que ela quer vender mais e precisa mudar para chegar aos seus consumidores. Agora, o melhor da notícia é que se a mesma marca reconhece que precisa modificar essa padrão, tão excludente, é um sinal de que seus consumidores, espalhados pelo mundo todo, estão mudando. A passos lentos, vai… mas estão. Ainda há poucos tipos de corpos representados, mas já dá para dizer que mais meninas podem se reconhecer e entender que um padrão não é necessário? Acho que sim. Meu pequeno eu teria gostado bem mais de ter algumas dessas.

http://g1.globo.com/economia/midia-e-marketing/noticia/2016/01/barbie-ganha-novas-formas-de-corpo-tons-de-pele-e-cores-de-olhos.html