Sabe aquela ideia antiga de que Brasília não tem movimentação cultural? Acabou faz tempo. A cidade tem fervilhado em projetos e iniciativas para divulgar, expandir e conectar nossos espaços de criação. O mais novo deles é a Movida Literária, um encontro que vai ocupar o mês de maio e movimentar as mesas de bares da capital com muita conversa sobre livros, autores, produção atual e o que mais surgir entre literatura e cotidiano. Eu estarei presente (e representando o oCiclorama) como mediadora da mesa no dia 24 de maio, no Bar 400, ao lado dos autores Marcos Fabrício e João Bosco Bezerra Bonfim.

Serão sete noites e 14 meses de debates, reunindo nomes novos e tradicionais da prosa e poesia brasiliense. Para arrecadar fundos e fazer o projeto da melhor maneira possível, a Movida conta com um financiamento coletivo e uma festa de lançamento que acontece hoje a noite!

A ideia é que os eventos aconteçam de maneira acessível a todos e, desta maneira, foram escolhidos espaços que fogem aos tradicionais focos literários. O evento será protagonizado pelos próprios autores da cidade, que ocuparão cadeiras de bares e cafés da capital em busca de agregar a maior quantidade possível de estilos e linguagens. Cinco escritores brasilienses se juntaram para dar vida ao projeto: Jéferson Assumção, Nicolas Behr, José Rezende Jr., Paulliny Gualberto Tort e Maurício de Almeida. A escritora e organizadora Paulliny Gualberto acredita que a produção literária brasiliense está se fortalecendo, já que a cidade começa a mostrar uma identidade própria, aparecendo nas narrativas locais.

A diversidade de estilos, gêneros e idades é um dos pontos altos da festa literária, que pretende atrair novos leitores e incentivar novos autores independentes a colocarem sua obra em circulação. Enquanto o cotidiano nos engole, deixaremos o corpo se envolver entre prosa e poesia. O convite para os bares, mesas de debates e para a festa de lançamento se estende a todos os autores da cidade, apaixonados por literatura, fiéis frequentadores do bar e outros tantos curiosos.

Segue aqui o evento para marcar presença:

https://www.facebook.com/events/1695488263795489/


Aproveita para conhecer aqui um pouco do trabalho e das ideias dos dois autores que participam da mesa em que eu estarei como mediadora, Marcos Fabrício e João Bosco:

Para João Bosco:

Para você, que temas são importantes para serem abordados durante as mesas de debate? Que aspectos da produção literária e poética devem ser levados ao público?

Penso que o da distribuição e fruição das artes literárias. Mas um lance para cima. De um lugar alto. E não de um vitimismo do tipo não há editoras ou espaços. Espaços há. E editoras no país, há. E blogs literários. Claro que precisamos ver se as tecnologias da informação nos favorecem no trabalho de difusão literária. Mas – sempre tem sido assim – os jornais (impressos ou virtuais) são feitos por editores e articulistas. Então, criar espaços de difusão de uma crítica literária valorosa depende mais de articulações como essa da Movida do que de uma estrutura tradicional. O Rascunho, do Paraná, já foi principalmente impresso. E, hoje, nem por ser distribuído virtualmente deixou de ser tão consistentes.

A literatura pode possibilitar mudanças e reflexões? Você pensa nisso durante sua produção?

Todo escritor é um pensador de seu tempo, no melhor sentido da palavras. Sempre que escrevo, dedico-me a ver: como os leitores receberão minha obra. Como dizia o Mestre Drummond o presente é meu tempo, os homens e mulheres presentes. A vida presente. Então, toda literatura é reflexão. Ainda que não se declare, explicitamente. Quanto a transformações, sim, a literatura está no mundo. Mas quem faz as transformações são os agentes sociais; os que leem; os que fruem a arte literária. Entretanto, distintamente de uma publicidade na mídia, a literatura não transforma, logo, o mundo. Vai minando as bases de uma antiga – e não mais válida ou congruente sociedade – e, um belo dia, encontramos uma força que vem da literatura para animar uma mudança.

Para Marcos Fabrício:

Como a poesia existe no seu dia a dia e de que maneira você se expressa através dela?

A escrita poética se mostrou mais presente na minha vida, entre a adolescência e a fase adulta. Encontrei no fazer poético o mergulho existencial necessário para processar uma melhor compreensão sobre os espantos e os fascínios que a vida me oferece. Quando digo vida, refiro-me tanto à realidade experimentada como à realidade inventada. Permito-me a poetizar com base na autenticidade e no fingimento. Sempre que provocado a sair da zona de conforto, escrevo poesias e as publico tanto no suporte analógico como no suporte digital, incluindo também a divulgação performática. Tenho versos mais imediatos e, por isso, voltados predominantemente para a mídia virtual. Em livro, procuro dar voz a uma literatura mais atemporal. Nas performances, opto pelos versos que privilegiam a desenvoltura oral e rítmica. Tento poeticamente ressaltar o encontro fecundo que pode haver entre a linguagem lapidada e os tesouros da coloquialidade. 

Qual a importância da existência da poesia? Onde ela está presente?

A importância da existência da poesia se revela, por exemplo, na tomada de consciência de que somos o que a linguagem nos deixa ser. Assim, ao tentar poetizar sobre o que vivi, termino escrevendo sobre o que penso que vivi; e, ao deixar escoar por entre os dedos a matéria viva da vida sentida e vivida, sinto-me mergulhado naquela solidão dos que se percebem, não diante de sua história real, mas da sua mitologia pessoal. A poesia está presente, quando faz da minha escrita o resultado confluente de uma memória infiel com uma imaginação um tanto excessiva. Por escrita poética, entendo todo o composto literário que, pela linguagem inusitada e perspectiva inventiva, dá sinais de que como o mundo deveria ou poderia ser. A poesia é libertária por excelência, pois incentiva a gente a desafiar a inércia da vida como ela é.  


Confere aqui os objetivos do projeto e aproveita para contribuir no catarse:

https://www.catarse.me/movida_literaria

O que esperamos dos encontros:

Antes de tudo, esperamos você! Não só a sua contribuição, mas também a sua presença.

Você é fundamental para que possamos alcançar esses objetivos:

1 – Reunir autores de prosa e poesia pela valorização da literatura produzida no DF;
2 – Interagir com leitores e fortalecer o sistema literário autor-obra-público;
3 – Colocar a literatura em destaque no imaginário coletivo local;
4 – Ampliar a importância da importância junto à comunidade;
5 – Divulgar a literatura produzida no DF, destacando obras dos autores locais;
6 – Promover a troca de experiências com autores de fora da cidade;
7 – Fortalecer, a partir da cena literária brasiliense.

Ah, sim, também queremos nos divertir à beça, conhecer pessoas interessantes e trocar muitas ideias sobre temas pelos quais somos apaixonados.


Veja onde, quando e quem estará presente em cada um dos encontros da Movida Literária. Aproveite para ajustar sua agenda e planejar sua participação.

21 de Maio – domingo // Beirute
CLS 109 – Asa Sul

Primeira Rodada 19h
Autores: Noélia Ribeiro e Adeilton Lima
Mediador: Luis Turiba

Segunda Rodada 20h30
Autores: Jéferson Assumção e Marco Miranda
Mediadora: Liziane Guazina

22 de Maio – segunda-feira
Pausinha para acompanhar a palestra do escritor Julián Fuks no projeto “Literaturas – Encontro com autores da nova literatura brasileira”, que acontece no CCBB às 20h;

23 de Maio – terça-feira // Sebinho
CLN 406, bloco C, loja 44 – Asa Norte

Primeira Rodada 19h
Autores: Tino Freitas e Luda Lima
Mediadora: Alessandra Roscoe

Segunda Rodada 20h30
Autores: Raphael Rocha e Wélcio de Toledo
Mediador: Geraldo Lima

24 de maio – quarta-feira // Bar 400
CLN 410

Primeira rodada 19h
Autores: Marcos Fabrício e João Bosco Bezerra Bonfim
Mediadora: Isabella de Andrade

Segunda rodada 20h30
Autores: André Giusti e Lourenço Cazarré
Mediador: Roberto Medina

25 de maio – quinta-feira // Ernesto Café
CLS 115 – Asa Sul

Primeira rodada 19h
Autores: Marina Mara e Jorge Amâncio
Mediador: Paulo Paniago

Segunda rodada 20h30
Autores: Sheyla Smanioto e Paulliny Gualberto Tort
Mediadora: Nahima Maciel

26 de maio – sexta-feira // Martinica
CLN 303, bloco A, loja 4 – Asa Norte

Primeira rodada 19h
Autoras: Lisa Alves e Carla Andrade
Mediador: Sérgio Maggio

Segunda rodada 20h30
Autores: José Rezende Jr. e Maurício de Almeida
Mediador: Maurício Melo

27 de maio – sábado // Objeto Encontrado
CLN 102, bloco B, loja 56 – Asa Norte

Primeira Rodada 19h
Autoras: Beatriz Leal e Cristiane Sobral
Mediadora: Conceição Freitas

Segunda Rodada 20h30
Autores: Nicolas Behr e Alexandre Pilati
Mediadora: Maxçuny Alves

28 de maio – domingo // Bar Raízes
CLN 408 – Asa Norte

Primeira Rodada 19h
Autores: Mariana Carpanezzi e Tiago Velasco
Mediadora: Julliany Mucury

Segunda Rodada 20h30
Autores: Alexandre Vidal Porto e Marcelino Freire (autor “Boêmio da Vez”)
Mediador: José Carlos Vieira