Há uma janela ao fundo e um ponto de escape ao centro. Um vento fraco que faz barulho logo atrás e faz voar os últimos fios de cabelos soltos. Há uma incerteza no tempo e um instante que se faz lembrar sempre, tornando intactos os antigos sonhos, quase esquecidos, guardados na última gaveta, da última porta, do último quarto. A maçaneta está quebrada, é preciso puxar com certa força, tirar a cobertura, limpar a poeira, olhar outra vez os mesmos papéis. Há uma lista de passos, um par de pés que se perdem no caminho, uma calçada com curvas sinuosas e um tanto de canto quebrado. Há uma espécie de nuvem que esconde a surpresa do dia, ao mesmo passo em que o céu teima em se mostrar sem estardalhaço. Há uma saudade distante, uma certeza estremecida e uma lembrança desgastante. Há alguma Maria, dispersa, inerte, quase nada estonteante. Há ainda a mesma gaveta e um punhado de sonhos que se atiram a um ponto talvez, quem sabe, um dia, revigorantes.