A tradição cultural tipicamente brasiliense se torna cada vez mais forte. O grupo social e cultural Grito de Liberdade é outra mostra dessa movimentação que enriquece a criação da capital. Entre os vários projetos de arte e educação levados para as praças do Distrito Federal, se incluium espetáculo para levar aos alunos mitos e ritos dos afrodescendentes numa mescla de capoeira regional e angola e das danças de puxada rede, dança do bastão e maculelê. O espetáculo é uma reverência a mitologias africanas explorando as técnicas de manipulação corporal, com uma linguagem artística de figurinos que resgatam a ancestralidade e coreografias que desafiam o limite do corpo humano, um encontro de corpo e alma.

O grupo pretende reforçar seus objetivos de disseminar a cultura popular e da capoeira pela cidade, além de aumentar cada vez mais o contato, reflexão e conhecimento da população para uma realidade que faz parte da formação cultural do nosso país. A ideia é aproximar cada vez mais pessoas da história de sua própria herança cultural. É uma festa da cultura popular que tem como carro-chefe a capoeira.

A ideia é popularizar aquilo que já é chamado de cultura popular para o Mestre Minhoca é essencial que nossas raízes sejam conhecidas por crianças, jovens e adultos. Além de perpetuar a formação cultural brasileira, o Gritos de Liberdade se preocupa com a descentralização do acesso cultural no Distrito Federal e busca sempre levar seus projetos até o maior número possível de regiões administrativas. “É preciso mostrar a luta do povo negro no país nas áreas sociais, política e econômica. A resposta durante as apresentações é sempre muito bacanas e o público fica encantado quando vê no palco toda a história da capoeira”, conta Luiz Cláudio, que também integra o projeto.

A motivação vem da transmissão de saberes e da necessidade de levar a cultura popular de maneira mais eficaz para as escolas. A importância deste tipo de trabalho está justamente em popularizar aquilo que é dito do povo e mostrar a força da cultura popular brasileira desde suas raízes. O projeto fortalece o aprendizado dos alunos, que conhecem a importância de vivenciar os saberes tradicionais de nossa história. Além disso, a valorização entre diferentes etnias é firmada a cada apresentação do grupo.

Entre as rodas de capoeira e vivências propiciadas pelos mestres, o público participante pode imergir cada vez mais na cultura africana através da transmissão de saberes e troca de experiências. As coreografias são embaladas ao som de berimbaus, agogôs, atabaques, pandeiros e reco-reco.

A gente tenta levar sempre muita informações e reflexões de como a capoeira verdadeiramente se desenvolveu. A partir dela as pessoas podem ter contato com outros aspectos que envolvem a negritude, como o bumba-meu-boi, cotas raciais, maracatu. Esse projeto é só uma parte do que pode ser feito, essa cultura precisa estar presente e ser popularizada na formação escolar”, afirma Luiz França, conhecido como Mestre Minhoca, um dos integrantes do projeto.

O Grito de Liberdade está espalhado pelo DF e pelo Brasil, formando capoeiristas também em Goiás, Minas Gerais, Piauí e Rio Grande do Norte. Mestre Cobra, seu criador, leva a capoeira não somente como uma luta ou dança, mas como qualidade de vida, como uma arma de conhecimento de si, do outro e do mundo, para fortalecermos nossa identidade e ancestralidade, conectando-nos com o futuro.


Sobre o grupo

Desde 1980, na Candangolândia, Mestre Cobra trabalha a capoeira perpetuando a história das culturas de matriz africana. Nessa época, a capoeira era marginalizada, sendo praticada às escondidas, no mato. De 80 a 90, Cobra treina com Mestre Rizomar. Em 90, vai para Asa Norte estudar com Grupo Taboza de Mestre Fred. Cinco anos depois, vai para o Sol Nascente com Mestre Romeu. Em 1994,  começa a desenvolver o seu trabalho no Riacho Fundo. Forma-se então, o grupode capoeira Grito de Liberdade. Cobra torna-se mestre graças ao mestre Tiego Nicácio. Mestre Cobra perpetua a capoeira não somente como uma luta ou dança, mas como qualidade de vida, como uma arma de conhecimento de si, do outro e do mundo, para fortalecermos nossa identidade e ancestralidade, conectando-nos com o futuro.

O Grupo Cultural e Social Grito de Liberdade está espalhado pelo DF e pelo Brasil, formando capoeiristas também em Goiás, Minas Gerais, Piauí e Rio Grande do Norte. São muitos alunos, entre meninos e meninas, homens e mulheres, velhos e velhas, vindos de todo canto da sociedade.Além dos constantes treinos, o grupo produz diversos encontros, entre batizados, trocas decordel, rodas festivas, festivais de dança e campeonatos. Há também um trabalho de formiguinha, feito diariamente por mestre Cobra e seus discípulos, de resgate de jovens em situação de risco. Aos poucos, esses jovens vão encontrando e percebendo na roda de capoeira seu valor e sua individualidade, conectando-se à arma e brincadeira deixada por seus ancestrais. É na vivência que o fundamento e disciplina propiciam, no sincretismo que é o cotidiano da periferia do DF, nas singulares quedas de rim, na apreciação e apreensão do toque do berimbau, é no ritmo do jogo, que a liberdade vai se fazendo grito, com axé e com dendê. 


Conheça um pouco mais da história