Sempre acreditei que todo indivíduo tem plena capacidade de ser feliz, leve e completo, mesmo que só. Principalmente quando só. Ainda assim, é tão bonito o tal amor. É tão
bonito o querer acrescentar algo de melhor ao outro já completo, até que o transborde. Até que se transborde a si próprio e até que transbordem-se juntos os amantes. É tão leve o enlaçar de dedos entre mãos já calejadas pelo tempo e toda espécie de loucura, fome, medo, alegria ou saudade. É bonito o aquecer de pés juntos, ainda que saibam permanecer quentes e caminhantes enquanto pés solitários. O amor é bonito pela falta de planos, pelo desdizer tudo aquilo que já foi dito, pela vontade de dividir o que já é pleno enquanto inteiro. É bonito pela cafonice, pelo desarme, pelo escorregão, por ser cúmplice da própria falta de sobriedade. É bonito o tal amor e a poesia que desperta por trás de toda a invencionice da vontade amada que nunca se esvai. E que sejam eternos, ainda que em um pequeno instante de riso, todos os tipos de amores.