Livros que falem de nossa fauna e flora, auxiliando a reconhecermos nosso território na sua biodiversidade, sempre são bem-vindos!

O projeto literário que partilhamos com vocês hoje, chama-se “O Cerrado na Escola”.

São 19 livros, sendo 14 de animais e cinco de histórias. O que tivemos oportunidade de ler foram: – O Tamanduá-Bandeira no Cerrado- A Seriema no Cerrado – O Inhambu no Cerrado.

Ilustração

De Lourdes Pinheiro, as ilustrações mesclam as paisagens do Cerrado, com destaque para o animal de que se fala e algumas vezes há representação da presença humana. Se escolheu usar traços que lembram o desenho de uma criança, com o colorir de lápis de cor ou giz de cera.

Texto e paratextos

As letras escolhidas para o texto, são do tipo bastão, ótimas para quem está iniciando a leitura individual.

Sobre as narrativas, elas nos apresentam informações pontuais e verídicas sobre as características da alimentação, hábitos, voo, ninhada e perigos.

No fim dos livros nos é dado uma página que sugere desenhar o animal, letra de música, porém sem indicação do ritmo e da melodia, mais informações sobre o animal, o autor e a coleção.

O Autor

A idealização do projeto é do Sr. Pedro Ivo. Nasceu em cidade do estado de Goiás que hoje pertence ao Tocantins e é empresário na cidade de Goiânia.

No seu texto biográfico, conta que para auxiliar sua família utilizava dos recursos generosos do Cerrado e que por vezes tentava capturar alguns animais usando de armadilhas, ao mesmo tempo que tinha que escapar delas também: “Não havia qualquer restrição à caça, e era assim que a vida pulsava por ali: os mais fracos sendo comidos pelos mais fortes.”

Outra informação é a expressão do desejo de que a coleção contribua para ajudar na urgente e necessária preservação do Cerrado. De fato, ‘Livros que falem de nossa fauna e flora, auxiliando a reconhecermos nosso território na sua biodiversidade, sempre são bem-vindos’, mas….

A publicação tem a parceria com a empresa Agroquima.  

Raramente se pensa sobre quem financiou a publicação de um livro, porém nas páginas dos livros que lemos, há o tempo todo a marca da empresa “agroquima”. Busquei a página da empresa para saber mais informações e principalmente conferir se ela age na proteção do cerrado. Hoje em dia não é preciso ser um especialista ou ter relação direta com produção de alimentos para saber se há alguma incoerência.

Na página “Saiba mais sobre a nossa empresa:” temos a seguinte informação:

Na década de 80, contribuiu para a introdução do plantio direto no cerrado, para as culturas de soja e milho. Atualmente, fabrica uma linha completa de suplementos minerais e rações para bovinos, sendo a primeira empresa a indicar, para bovinos, a suplementação com uréia no período seco, através do Sal Mineral. Com isso, a Agroquima possui o primeiro sal mineral com ureia, líder de mercado.”

Já se sabe que às monoculturas de soja e milho tornaram-se inimigas da preservação do Cerrado e que alimentar um animal sem ser por fontes vegetais têm consequências mais negativas pro ciclo natural, eficaz e sustentável que pode realmente manter a saúde geral da terra e nossa, que estamos nela.

Como leitora e educadora, eu  fiquei decepcionada com a parceria que financiou o projeto, que tem potencial para ser um instrumento a favor do Cerrado, de quem habita e usufrui dele. A intenção das publicações, a iniciativa do autor e o desejo de “ajudar na urgente e necessária preservação do Cerrado” é boa e  não duvido que seja legítima, porém não dá para fazer “vista grossa” para tal contradição.

 


 

Por Dayla Duarte

Equipe Marandubinha

Fontes de Leitura:

  • http://www.agroquima.com.br/agroquima

Página do projeto no Facebook:

https://www.facebook.com/ocerradonaescola/