É que eu era dona da beleza mais inexplicável desse mundo, tinha aprendido a andar menos depressa. E dia desses sentei num banco e esqueci do amor, do tempo, da história, da chegada, da partida, era eu e a água, sem mais uma gota de mundo ao redor. Deixei os olhos bem abertos, respirei. Era quase impossível ouvir algum barulho, perto que fosse, que me pudesse desprender os sentidos daquele lugar. Caminhei só o dia todo, como tantos outros, enquanto a multidão de gente pulsava ao redor. O passado desconectou-se, era uma espécie de filme cheio de riso, descoberta e algum bocado de amargura, que nem só de vento é feito um pedaço interno de ar. O filme passava devagar na minha frente, refletido na água e eu assistia a tudo sem um pingo de medo, susto ou retenção. Assim, uma Maria qualquer, eu era o mundo. Vai Maria, com olhos de quem não sabe o tempo e inventa a própria cadência do dia. Quanto universo cabe dentro da gente.