Existem duas verdades: a vida pede que você retire suas máscaras, enquanto a sociedade (aos murmúrios) tenta, de forma velada, podar quem por completo se é. Escancarar a verdade, expôr a pele em carne crua, permitir que te vejam as entranhas e enxerguem por dentro daquilo que só transparece pelos olhos. Pedimos autenticidade, pedimos veracidade em toda palavra que nos chegue aos ouvidos, ao mesmo tempo em que tentamos podar – a nós e aos outros – em qualquer tentativa de transparência que pareça gritante demais aos nosso olhos socialmente mal acostumados.

Quem nunca teve medo da solidão? Quem nunca tentou vestir a capa da boa e perfeita mocidade para caminhar em sossego pelas calçadas? Quem nunca criou seus próprios fantasmas, envoltos por medo e culpa, com receio de perder qualquer um que lhe segurasse firme as mãos? Somos treinados a parecer, até que algo nos entupa a garganta, nos prenda a respiração e nos leve a arrancar do lugar passivo todas as antigas invenções e verdades. Sinto um alívio pulsar ao redor quando percebo mais alguém que resolve caminhar lado a lado com o espaço que se desocupa ao deixarmos a própria alma nua. Quebrar tabus, a perfeição é extremamente tediosa.

HIV. Já imaginou? Já culpou? Deixemos de lado o costume de pisar em ovos, nenhuma palavra é extrema demais. O Gabriel Estrela, colega de cantorias e companheiro de palco, resolveu compartilhar-se através da arte. Eu nunca conheci alguém que fosse soropositivo, nunca tive a oportunidade de saber como vivem hoje os jovens em tratamento. 2015. Não é assunto do passado, é preciso abrir o diálogo e permitir-se criar empatia.

Pensando nisso, o Estrela, que é ator, escreveu a peça Boa Sorte, contando um pouco da sua história e quer se colocar disponível para esclarecer qualquer dúvida ou curiosidade que apareça.O projeto, para divulgar ações sociais e difundir informações sobre o HIV, está disponível na página do facebook: https://www.facebook.com/projetoboasorte Estão todos convidados para conhecer, entender e trocar experiências.

Eu sempre escrevo quando algo não me cabe mais só por dentro e admiro imensamente a coragem do Gabriel. Espero que a iniciativa possa despertar outras entregas. Experimentar e entregar verdadeiramente o que somos é a mais bonita forma de possibilitar ao outro que experimente e entregue o que se é. O mundo é dos que se permitem ser.

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