A poesia e a irreverência da arte urbana ocupam o posto de voz das ruas e dialogam com o cotidiano da própria cidade. Criar um espaço de respiro entre o cotidiano caótico das paisagens urbanas e dialogar com a população através da criação artística, são estes alguns dos principais objetivos dos artistas de rua. Entre poesias, frases, cores, desenhos e intervenções, os artistas transformam espaços, reinventam objetos e proporcionam a possibilidade de novos pensamentos àqueles que caminham por entre suas criações. A ideia é trazer mais vida ao colorido frio que acompanha o cotidiano de muita gente e possibilitar instantes de afeto e encontro através das possibilidades de reconhecimento e reflexão proporcionadas pela arte.

Entre rotinas atarefadas e corridas, a arte urbana, democrática e acessível, dialoga e questiona a própria cidade em que se insere. As possibilidades são diversas e englobam, entre outros, grafiti, intervenção poética, stencil, lambe-lambe. O grafiti teria se tornado popular no Brasil, mais especificamente em São Paulo, na década de 1970. Primeiro através de pichações poéticas e depois com a stencil art, feita em reprodução seriada. Nos anos 1990, o grafiti ampliou sua presença para as periferias no rastro do movimento hip-hop.

Os desenhos, frases e poemas dão mais cor aos muros urbanos e, em Brasília, é comum caminhar entre as criações de Daniel Toys. O Toyszim, um de seus personagens mais desenhados na cidade, colore paredes, ruas e calçadas. O artista plástico formado em publicidade cria seu próprio universo para produzir nas ruas e é impulsionado pela vontade de deixar sua marca na cidade, além de conseguir dialogar com os moradores que caminham por seus espaços. Para ele, o grafiti quebra o cotidiano cinza e concreto da cidade.

O grafiti seria um meio para criar diálogos e possibilitar que Toys caminhe entre os extremos da sociedade, pintando para todas as classes sociais que passem por seus desenhos nas ruas. Todos os lugares viram tela e entre pontes, calçadas e esgotos a cor das tintas ganha o seu espaço. Outra preocupação é criar um trabalho que dialogue e comunique com o cotidiano daquela cidade, sem que a preocupação seja apenas estética.

Acho que a rua ainda é um dos meios mais eficazes para criar um diálogo. A rua ainda é o lugar onde todos os tipos de gente, classes, raças se encontram. De alguma maneira cria-se um debate nesse caos de informação da cidade”.


Confira entrevista com Daniel Toys:

Quando você começou a desenhar e a grafitar?

Eu comecei a fazer grafite muito cedo, comecei por volta dos 12 ou 13 anos, pode-se dizer que eu já faço grafite há muito tempo, uns 13 anos na caminhada. Desde que eu me entendo por gente tenho o hábito de desenhar, minhas brincadeiras quando criança eram de desenhar, criar personagens. Sempre gostava de criar, tentar contar uma história com os meus personagens. Foi por meio do skate que eu conheci o grafite, quando ganhei meu skate comecei a ir mais para as ruas e as quadras e quando você chega no skate parque, você percebe que tem desenhos nas paredes e aquilo começou a me chamar muita atenção. Comecei então a me aprofundar na cena, conhecer pessoas que já faziam.

O que te motivou a levar suas criações para as ruas?

O que sempre me motivou a pintar na rua é o fato de você deixar uma marca na cidade, não ser mais uma pessoa anônima, poder fazer algo de relevante na cidade e ser lembrado pela história dessa cidade. Deixar algo ali para todo mundo ver, deixar a minha voz. Hoje em dia tem internet que facilita conhecer esses trabalhos, mas quando eu comecei, ainda criança, você precisava realmente andar prestando atenção nos ambientes para encontrar os grafites. Fazer essa diferença é o que mais me motivou.

Você busca transmitir algo através dos seus desenhos? Cria um diálogo com a cidade?

Acho que o grafite e a arte urbana têm um papel social de comunicar incrível. A arte em geral tem um papel social de comunicação muito grande. Por estar na rua, a street art tem esse papel de dialogar com a população. É nítido o tanto que muda o cotidiano da cidade, uma cidade pintada, as pessoas param, se identificam. As pessoas gostam da cidade colorida, de sair do padrão, elas ficam impressionadas quando a gente está pintando um viaduto cinza, que antes ninguém reparava, que ficava ali quebrado, cor de concreto. E quando você pinta esse viaduto, muda tudo, as pessoas começam a observar ele (viaduto) de outra maneira. Isso leva a população dessa cidade sair do padrão do cotidiano nem que seja por alguns segundos ou minutos.

O grafiti é a voz da rua e acredito que ele tem que ser um canal entre as pessoas da cidade, como se fosse um grito das pessoas da rua. Eu, como artista urbano, tenho que estar em total conexão com os ambientes da minha cidade. É um grito, seja de protesto, seja te chamando para um universo lúdico”.


Conheça mais trabalhos na página oficial: https://www.facebook.com/toysdaniel/