Dois pontos de nós separavam seus olhos de toda a eternidade. Dedos sujos de pintar papel com carvão, pés descalços e vestido solto para limpar e repousar as mãos. Seria preciso outra tarde envolta em oceanos de azul em céu para lhe tirar o que fora descoberto de liberdade. O voo é livre como o próprio caminho indisciplinado do vento. Outra vez os cabelos bagunçados, escondendo por alguns instantes a vontade impassível de transitar em caminhos alinhados. O amor? Uma impossibilidade intransponível aos pés castigados pelos caminhos tão pisados pelo tempo. “Largue a bagagem”, pedia. Deixe de fora da nova morada os olhos de ontem, a roupa antiga, o cheiro da comida requentada. Suas mãos deixavam escapar entre os dedos qualquer água velha ou excessivamente utilizada. Impensável, ia tudo ao chão. Ajeitou o vestido amassado, largou a sacola e correu outra vez ao mar. Deixar de mergulhar no silêncio confuso das ondas era inadmissível. “Largue a bagagem”. Submergiu.