Não há sal na terra que me cubra de gosto como teu tempero intensamente destemperado, Clarissa. Era como sentir a origem do gosto, o começo da saliva, o início do degustar. A mesma sensação de inacreditável surpresa, que subia enroscada por todo e qualquer fio de cabelo que fosse tocado pelo teu sal. Sempre foi assim, o céu nos teus olhos e uma avalanche na tua pele.

Eu fiquei tão doido de amor que esqueci como era amar, Clarissa. Fiquei, enfim, só doido mesmo. Quando me dei conta de ter fugido de mim no meio da loucura, busquei desesperado por todo e qualquer pedaço de sanidade. Pude me reconhecer novamente e dei sorte, a poesia me salvou de tornar-me totalmente são.