⁠⁠⁠O Café FAC convida para o primeiro evento do ciclo de mesas redondas intitulado “Mulher, vivência e resistência: Olhares femininos sobre pesquisas de gênero”, em decorrência da necessidade de se debater questões relacionadas a gênero na universidade – que foi o local do assassinato de uma aluna recentemente – e nos diversos setores da sociedade.
A primeira mesa redonda acontecerá dia 2 de junho, quinta-feira, às 19h, no auditório da Faculdade de Comunicação.

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Estarão presentes as pesquisadoras:

Tânia Montoro (FAC)
Mestre em Comunicação pela Universidade de Brasília. Especialista em Política Social pela Universidade de Brasília. Professora da Faculdade de Comunicação. Pesquisadora do Núcleo de Estudos e Pesquisa sobre violência (Nevis/Ceam/UnB). Com foco e atuação nos estudos feministas e de gênero na área de Comunicação audiovisual e Publicidade.

Lourdes Bandeira (SOL)
Professora do Departamento de Sociologia da Universidade de Brasília, com foco e atuação principais nos seguintes temas: Conflito, violência nas relações de gênero, cidadania, mulheres, feminismo e políticas públicas. É atualmente coordenadora do Núcleo de Estudos e Pesquisas da Mulher – NEPEM. Foi Secretária de Planejamento e Gestão da Secretaria de Políticas para Mulheres-SPM/PR de fevereiro de 2008 a janeiro de 2011 e Secretaria Adjunta a partir de março de 2012 até janeiro de 2015.

Ceiça Ferreira
Doutora em Comunicação pela Universidade de Brasília na linha de pesquisa Imagem, Som e Escrita. Pesquisadora do Núcleo de Pesquisa em Teoria da Imagem (NPTI) vinculado à UFG. Desenvolve atividades de ensino e pesquisa nas áreas de comunicação e cultura, cinema, identidades raciais e de gênero.

Com moderação de Clarissa Motter,
Doutoranda em Comunicação pela Universidade de Brasília. Mestre em Comunicação pela Universidade Federal de Goiás. Especialização em Planejamento e Gestão de Eventos pela Pontifícia Universidade Católica de Goiás. Graduação em Comunicação Social – Publicidade e Propaganda pela Universidade Federal de Goiás. Área de atuação: comunicação e cultura, comunicação e produção de eventos, comunicação audiovisual, comunicação e estudos de gênero, análise de produção de discursos, análise da imagem.

Convide suas amigas e amigos e vamos envolver todos nessa discussão tão necessária e urgente!

 

downloadAinda sobre a questão da mulher

Eu, como tantas mulheres, não descobri o feminismo cedo, tive um pouco mais de contato, experiência e entendimento já dentro da universidade. Puxando falas e comportamentos passados pela memória, a partir da vivência que tenho hoje, percebo que eu mesma, ainda adolescente, repetia pensamentos machistas. Eu precisava do feminismo muito antes de saber que ele sequer existia. Como outras tantas, cresci com a formação do imaginário de que deveria me cuidar e me comportar para não ser estuprada, quando o único motivo é a existência do estuprador. Somos criadas em uma sociedade que nos faz sentir culpa, até que o tempo nos mostre outros pontos e lados da verdade. Ainda que não fosse feminista, dividia, desde cedo, um sentimento em comum com outras tantas: medo constante.

Não usar roupas curtas, não andar só, não percorrer ruas vazias, não chegar perto de lugares pouco iluminados, não ceder, não beber, não estar desacompanhada, não confiar, não usar batom vermelho. Não. Somos criadas para a negação. Proteger-se, com zelo e cuidado, dos arredores da cidade, teoricamente tomadas por bichos soltos e sem controle de instintos.

A menina violentada tem 17 anos, idade normalmente bastante superior àquela em que começamos escutar as primeiras ofensas e provocações. Entre os 30 (trinta) presentes a certeza de superioridade, força e impunidade. Homens, não contestem. A cultura do estupro é mais perigosa, nociva e bárbara que qualquer generalização. Leio palavras que tentam amenizar o crime: suspeitos, queixa, possibilidade. É essa sensação de fato cotidiano e ato impune que, provavelmente, leva tantos estupradores a divulgarem e se vangloriarem de seus próprios crimes e atos de barbárie. Eu, como tantas outras, me assusto ao perceber que discussões a respeito de machismo (ou racismo, homofobia, exclusão) tornam-se temas referentes a esta ou àquela orientação política.

Vamos repetir exaustivamente, falar novamente, gritar outra vez, chamar atenção esta e mais outra e outra e tantas vezes. Estupro não é preferência política, não é instintivo, não é provocado, não é cotidiano, não é argumento ou consequência de comportamento algum. A violência não pode ser vista como espetáculo. Ainda assim, vamos juntas, não mais iremos nos calar.

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